26 junho 2018

TRADIÇÃO DE SÃO RAFAEL NO SÃO JOÃO

Entre os sucesso do São João do Morro, nesse fim de semana no dia 23 deste mês de Junho, o povoado de São Rafael mas uma vez foi destaque. Com sua grande tradição das fogueira em pé, o povoado que é uma das comunidades que mais tem a essência cultural e tradicional ao longo da sua história,  faz essa espécie de tradição das FOGUEIRAS EM PÉ.
Nesse São João a comunidade teve nove fogueiras em pé, segundo os moradores já teve São João com vinte e seis, cada casa que faz a fogueira acolheu as pessoas oferecendo comidas típicas do festejo, bebidas e musicalidades, nas fogueiras tem os diversos prêmios para os "pegadores de fogueiras", as pessoas ficam ansiosas esperando a queda da próxima fogueira, todas ela caem numa sequência, primeiro em uma casa depois em outra, tem por costume uma organização em que ascende uma fogueira quando a que já está queimando esta próximo a cair, depois o público vai para que então está queimando. Segue essa sequencia até chega na última.

É uma das festas mais juninas e conservada da região, por tradição são tocado forrós pé de serra. Nesse, a associação comunitária do povoado que é um ponto de cultura chamado PONTO DE CULTURA FOGUEIRA CULTURAL, faz uma grande preservação em contatar trios de forró pé de serra para esquentar a parte dançante da festa. o São João de São Rafael é dos melhores do Morro para ser apreciado.

O PONTO DE CULTURA faz um trabalho de valorização cultural o ano todo, dando como proposta para os jovens da comunidade arte, esporte e educação tradicional com diversas linguagens. Mantém a tradição da quadrilha junina que carrega o nome de QUADRILHA MARCOS BAGANO, Marcos Bagano foi um dos maiores lutadores pela manteção das tradições do lugar.








 

18 junho 2018

SUCESSO DO SÃO JOÃO DO MORRO



O São João do Morro foi de tirar o Chapéu, mas o que mais marcou nesse merecimento foi a manifestação das escolas municipais com o cortejo junino. Cada escola carregou um tema e cada qual foi muito criativa com suas carroças enfeitadas, desde homenagens as pessoas, lendas, monumentos históricos da cidade, grupos e pessoas lendárias, foi cada uma bem criativa e bem ornada. Algumas escolas colocaram o sanfoneiro e o zabumbeiro ao vivo, outras o trator elétrico, houve homenagens além de apresentações das quadrilhas juninas, em fim, foi riquíssimo o cortejo junino das escolas nesse segundo São João da gestão do prefeito Léo Dourado.

Além da festa com grandes bandas em grande palco, mas o que mais marca na mente e na diversão original do povo são as manifestações populares, artísticas e diretas, nesse coso com a escolas a ideia precisa ser ampliada e complementada com mais grupos e criações. Além da diversão, leva conhecimento e lembranças para toda população de uma forma que ficará marcada nas memorais.


EU NÃO ACREDITO NUMA NAÇÃO QUE DESVALORIZA A SUA CULTURA


I
Para começar peço lhe atenção
É que não quero discurso pobre
Que nas falas verdade encobre
E que sempre desfaz da razão
Vem com arrogância no coração
Que é onde lhe falta ternura
Estampa hipocrisia obscura
E sai falando coisa sem noção
Eu não acredito numa nação
Que desvaloriza sua cultura

II
Para saber o que cultura é
Uma palavra que vem do latim
Culturae era chamada assim
Diz cultivar todo o saber que der
Conhecimento, produção e fé
Arte é a principal e pura
Luz que liberta mente escura
Pilar para toda educação
Eu não acredito numa nação
Que desvaloriza sua cultura

III
Quando se fala porem na arte
Todas elas vêm sempre a tona
Nenhuma então quer ser a dona
Que elas nunca fiquem a parte
Na cultura a quem mais lhe farte
Na realidade triste e dura
É esquecida mas é segura
E se ela faz essa conjunção
Eu não acredito numa nação
Que desvaloriza sua cultura

IV
É só a cultura quem destaca
A nossa história e linguagem
Desenha valor na nossa imagem
Só ignorante é quem ataca
E a permanência fica fraca
Quando encontra essa censura
Que traz tão odiosa amargura
Fica a pensar essa declaração
Eu não acredito numa nação
Que desvaloriza sua cultura

V
Para a cultura ser mais forte
Deve ser passada aos pequenos
Pelos os que têm o saber pleno
E não deixar por deriva sorte
Cuja oferta só traz a morte
Aos costumes para sepultura
Neles que arte é só fartura
Mas por outros morrem sem compaixão
Eu não acredito numa nação
Que desvaloriza sua cultura

VI
Se cultura é identidade
A nação que a desvaloriza
Sem essência se caracteriza
Fica um povo sem qualidade
Vivendo a triste realidade
Cresce a bagunça com soltura
A educação ruma com frouxura
Na fraqueza dessa sua depressão
Eu não acredito numa nação
Que desvaloriza sua cultura


NALDÃO . ARTES 

12 junho 2018

PELC MORRO DO CHAPÉU NÚCLEO 69


Nesse domingo dia 10 de junho deste ano de 2018, o PLC Programa de Esporte e Lazer das Cidade de Morro do Chapéu, identificado tecnicamente como núcleo 69, realizou um grande evento diversificado na quadra da escola municipal Adalberto Pereira.

O evento foi uma das culminâncias em que o programa deve fazer periodicamente, esteve presente diversas pessoas da sede município e beneficiarias do programa, com pessoas do interior que vieram abrilhantar todo o evento. Foram apresentadas a ginástica com o agente Gonçalo, dança com a agente Jéssica, cine vídeo com o agente Israel e o basquete com o agente Igor, um evento que começo por volta das 16 horas e durou até as 20:30 horas.
Com um toque cultural dentro do tema junino a festa do PELC agradou todos os presente com as suas atrações diversas como sitadas a cima, comidas típicas do São João e entretenimento entre todos os convidados.

O evento contou com apoiadores como a FAAASCIBA a entidade que pleiteou a chegada do programa em Morro do Chapéu e o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Ruais de Morro do Chapéu. Alem desses tiveram também os colaboradores que fizeram a sua parte para o andamento da cidadania em que o programa destacas em sua marca, para que haja a cidadania deve haver união entre as pessoas e entidades. 


FILME DO MORRO DO CHAPÉU

ESSA POSTAGEM É PARA MOSTRAR TRABALHOS DE CINE VÍDEOS, QUE VEIO DESDE O ANO DE 2008 ATÉ O ANO DE 2010
ZUMBIS
FILMES PRODUZIDOS EM MORRO DO CHAPÉU PELO GRUPO ENCENAÇÕES NO ANO DE 2010 ENTRE A SEDE DA CIDADE E A COMUNIDADE DE VENTURA.
O FILME TEVE:
ROTEIRO - SIMÁRIO SILVA
FIMAGENS - SIMÁRIO, CEZAR E MURILO
EDIÇÃO - NALDÃO
O CANAL MULTI IDEIAS DA COMPANHIA DE TEATRO ENCENAÇÕES ESTÁ FAZENDO UMA SEÇÃO DE VINCULAR TODOS OS FILMES DE PRODUÇÃO AMADORA IDEALIZADO PELO GRUPO NO YOU TUBE.



JUVENTUDE PERDIDA
ESSE FILME FOI CRIADO POR JOVENS ESTUDANTES DE MORRO DO CHAPÉU BAHIA. SÃO FILMES ESTUDANTIS COM O PROPÓSITO DE TRANSMITIR APENAS UMA MENSAGENS ATRAVÉS DA SÉTIMA ARTE. JUVENTUDE PERDIDA FOI APRESENTADO EM DIVERSAS ESCOLAS, BAIRROS, COMUNIDADES RURAIS E EVENTOS SOCIAIS EDUCATIVOS DE MORRO DO CHAPÉU BAHIA CRIADO POR SIMARIO SILVA E RICARDO DE MORAES NO INTUITO DE LEVAR UMA MENSAGEM DE ALERTA PARA JOVENS E ADOLESCENTES NO TOCANTE DAS DROGAS


UMA TRIBO PERDIDA
UMA PROPOSTA DE CINE VÍDEO DOS ALUNOS DAS ESCOLAS DA CIDADE DE MORRO DO CHAPÉU. ESSE FILME FOI GRAVADO EM 2010 COM JOVENS ADOLESCENTES QUE ESTUDARA A HISTÓRIA DOS HABITANTES INDÍGENAS NA REGIÃO, O NOME DA TRIBO É FICTÍCIO E O SUPOSTO IDIOMA 

RITUAL
 
AS SOMBRAS DO MEDO DE ONTEM SÃO AS REALIDADES D HOJE É SÁBIO TEMER A LEI DO RETORNO IGNORE QUEM É PRA SER IGNORADO MAS NÃO IGNORE O QUE ELE PODE FAZER.

UM FILME CRIADO POR RICARDO E SIMARIO DENTRO DE UMA REALIDADE FUTURA PRESENTE.

05 junho 2018

PROJETO FLAUTA DOCE DE VÁRZEA DO POÇO

Sempre tem anjos de plantão dentro de uma sociedade tão mesquinha em que as pessoas só olham para o próprio umbigo, venerando o passado, ignorando o presente e preocupado com o futuro.

Na cidade de Várzea do Poço a arte é uma ferramenta de transformação desses males com a boa música, pessoas como Maylla Nunes, Delaine Oliveira, o maestro Adailton Souza e Raina Nunes fazem por conta própria acontecer aulas de flauta doce para meninos e meninas da cidade, as crianças entre a média de 11, 12, 13 e 14 anos tocam com a mesma postura e qualidade de adultos veteranos na música de partitura sinfônica.

O PROJETO DE FLAUTA DOCE de Várzea do Poço se apresentou no 23º Campeonato Baiano de Karatê de Semi-Contato tocando o hino nacional, encantando e emocionando muita gente presente no evento das diversas cidades do estado da Bahia. o Karatê que é uma arte marcial sempre com tendência ás outras artes, dessa vez foi contemplado com essa abertura cultura feita por pré adolescentes tocando em sinfonia o hino nacional brasileiro.
Sempre é bom lembrar que educação nas diversas linguagens é de obrigação do estado, e toda educação está dentro de uma cultura, a nossa cultura brasileira é uma das mais ricas do mundo, cabendo toda a sociedade e governos terem olhos para ações educativas atraentes como essas, geralmente o nosso sistema é vicioso e sem ânimo para a diversidade.

30 maio 2018

CORDEL A BIBLIOTECA MUNICIPAL DE ITAETÊ


I
Estação de trem itaete
Armazenava madeiras
Mamonas, mercadorias
A ida era doutra maneira
O trem era mais ligeiro
Tudo mais e passageiro
Viajava rio a beira
II
Por essas idas e vindas
Do viajante, a alegria
De quem ficava, tristeza
Era esse o que mais sofria
Mato verde, o sol, o rio
O calor, a brisa, o frio
No balanço, o trem seguia
III
As horas, o tempo passa
Assim como trem não voltou
A estação que não parte
Em biblioteca se tornou
Hoje dos livros as linhas são
Viagens da imaginação
Lembrança é o que ficou
IV
Agora a estação tem
Outras viagens: a leitura!
Pra todos os passageiros
O destino é cultura
A estação de Itaetê
Abre os braços pra você
Ir em frente com bravura

CORDEL PRODUZIDO NA OFICINA NA SEGUNDA SEMANA CULTURAL DO ANIVERSÁRIO DA BIBLIOTECA ESTAÇÃO DAS LETRAS

ARRAIÁ MORRO DO CHAPÉU 2018

Tradicionalmente em Morro do Chapéu terá mais um grande São João cheio de atrações, e pela segunda vês oficialmente na "RUA DO FOGO".

Pela segunda vez nessa nova gestão, será realizado o São João de forma diferente, antes era em várias ruas, agora será em uma só rua com várias atrações e festa única com a intervenção do município. Essa nova organização do governo do prefeito Leo Dourado e equipe, traz o São João para um único lugar que é na Rua Coronel Souza Benta, a conhecida RUA DO FOGO.

Nesse ano de 2018 terá várias grandes atrações, entre elas Adelmário Coelho, Walquyria Santos, Eugênio Cerqueira e demais bandas de forró pé de serra. Terá também concurso de quadrilhas juninas, barracas típicas, ornamentação específica do espaço (a rua) e demais atrações durante três dias de festa 15, 16 e 17 de junho deste ano de 2018.

Desde já toda a equipe organizadora junto com a população de Morro do Chapéu convida você e sua família para fazer parte dessa festa, que vai ser "DE TIRAR O CHAPÉU"

22 maio 2018

BIBLIOTECA ESTAÇÃO DAS LETRAS




Nesse dia19 de maio do ano em curso, a cidade de Itaetê comemorou pela segunda vez o aniversário com semana cultural da seu biblioteca municipal, a Biblioteca Municipal Estação das Letras.

A biblioteca tem 16 anos de existência e sua instalagem é na antiga estação ferroviária da linha que se limitava na cidade. O ramal de Itaetê era o fim da linha de Queimadinha da então linha Estação da Férrea da Bahia, que atingiu a estação Bandeira de Melo e só em 1923 que chegou em Itataetê. Em 1975 foi suprimida pela RFFSA.

No ano de 2002 mais preciso no dia 19 de maio, foi inaugurada a biblioteca municipal no antigo prédio da estação férrea, levando o nome sugestivo de BIBLIOTECA ESTAÇÃO DAS LETRAS. Nesse dia de 19 de maio de 2018 foi comemorada seu décimo sexto aniversário com a segunda Semana Cultural da Biblioteca, organizado por Lisias Azevedo tendo oficinas de acervo digital por Cris Alves do ITEIA, oficina de cordel por Naldão (ENCENAÇÕES), apresentação cultural das escolas municipais, apresentação de cordel com Naldão, apresentação do tema revitalização das vias férreas por Gilson do VER DE TREM, palestra com o poeta Edilson Rodrigues o VELHO VIAJANTE além de outras manifestações locais.
 
Foram diversos desenvolvido por essa equipe presente em Itaetê, convidada pela grande ativista cultural da cidade, a guerreira LISIAS AZEVEDO com a companhia do grande VELHO VIAJANTE O POETA, foram conversas sobre o desenvolvimento turístico e cultural da cidade, visita e analise da feira livre da cidade, contato com artesãos e vários outros desenvolvidos.


 
 O Projeto Ver de Trem /Movimento Trem de ferro e o Grupo Ecológico-Germen uniram-se para a concretização da histórica viagem de trem de Salvador ao Rio de Janeiro para a ECO 92 (Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento ) num trabalho de revitalização dos trens de passageiros nas ferrovias brasileiras. da cidade de Salvador já nao partem mais trens para outras cidades. A malha feroviária brasileira, apesar de ligar o país de norte ao sul, está hoje praticamente disponível apenas para trasporte de cargas. Em Outubro de 1991 lançamos uma campanha que visava uma viagem de trem de Salvador ao Rio de Janeiro, com objetivo de conduzir parte da delegação baiana para a Rio 92, por entender ser o Trem o meio de transporte mais economico,ecologico e seguro. Apesar do descrédito inicial, a idéia tomou corpo e hoje é fato consumado: um grupo de 95 pessoas,entre ambientalistas,ferroviários,especialistas,imprensa e artistas chegaram ao Rio de Janeiro numa Histórica viagem, com características inéditas e de amplo efeito social.  

Conheça o projeto ITEIA

O iTEIA é uma Rede Independente de Cultura e Cidadania, idealizada pelo Instituto InterCidadania (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) e desenvolvida em parceria com patrocinadores e organizações governamentais e não governamentais, em sintonia com o Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura. É um arrojado sistema on-line de gerenciamento, difusão e intercâmbio de conteúdos culturais digitalizados, com amplo suporte tecnológico e integrado com outras redes digitais e não digitais. A idéia é servir de base de interligação com outros projetos com objetivos similares, formando uma Teia de interação cultural na internet.

FIM DE SEMANA DE GRANDE PRODUÇÃO DO ENCENAÇÕES

NESSE FIM DE SEMANA DIAS 18 E 19 DESTE MÊS DE MARÇO O GRUPO ENCENAÇÕES TEVE UMA GRANDE SEMANA DE ATIVIDADES CULTURAIS EM TRÊS CIDADES, SENDO ASSIM O GRUPO TENDO PARTICIPAÇÃO DE MORRO DO CHAPÉU PARA:

AMÉRICA DOURADA BAHIA - Grande manifestação em prol do combate a exploração sexual contra crianças e adolescentes, organizada pela secretaria municipal de educação da cidade, levando a arte como linguagem de informação e envolvimento no cortejo pelas ruas de toda comunidade.

O Grupo Encenações se apresentou com pernas de pau, fazendo o entretenimento e chamando atenção da cidade para que todos acordem contra esse mal que assola no mundo todo, e que só depende de cada um está fazendo a sua parte todos os dias em defesas de meninas e meninos indefesos nas garras de adultos irresponsáveis e bandidos.

VER AS FOTOS DO EVENTO

CAFARNAUM BAHIA - Da mesma forma o grupo esteve presente na manifestação da mesma causa, também com os pernas de pau, organizado pelo CRAS  e pelo CREAS com a participação das secretarias diversas e as escolas do município.

VER AS FOTOS DO EVENTO

ITAETÊ - Em Itaetê esteve presente com a manifestação poética brasileira, a literatura de cordel no aniversário da biblioteca municipal ESTAÇÃO DAS LETRAS. o evento foi na segunda semana cultural da biblioteca e organizado por LISIAS AZEVEDO onde ouve diversas atrações culturais e estruturantes sociais. CLICK NA IMAGEM
https://encenacoesteatro.blogspot.com.br/2018/05/biblioteca-estacao-das-letras.html

14 maio 2018

"A ABOLIÇÃO VEIO MAS NÃO LIBERTOU"

Neste 13 de maio só a continuidade da luta e da rebeldia são plausíveis, não há comemorações, pois o Estado continua assumindo o papel repressivo do senhor de engenho

A Abolição veio, mas não libertou e nem democratizou o país

A Lei Áurea, sancionada em maio de 1988, não aboliu somente a escravatura, mas também a esperança de ser livre. Mas, como já diria o ditado: “a esperança é a última que morre”. E neste 13 de maio completou 130 anos de uma abolição inacabada e o povo negro prossegue ainda explorado construindo sua história e edificando a preço de sangue e suor a sonhada liberdade. Decretou-se abolição, mas no sentido político e social não se resolveu o problema da desigualdade social e racial, pelo contrário, intensificou e institucionalizou o racismo.

A quantidade de negros desprovida de qualquer condição financeira material e territorial é o que compõe o grupo de segregados racial, social e territorialmente.

Na historiografia brasileira não tão remota, diante da possibilidade de uma abolição com a integração dos negros via doação de terras pelo Estado, criaram a Lei de terras em 1850 como um mecanismo controlador e regulador para preservar e equilibrar os interesses dos senhores.

Desta maneira, a única forma de adquirir a terra era via compra direta ao governo, sendo assim “quando os escravos fossem abolidos não haveria mais nenhuma possibilidade de um decreto abolicionista radical que incluísse no texto a doação por parte do governo imperial capazes de fixá-los nas terras pertencentes à nação” - pelo contrário, as terras seriam mercadorias de aquisição impossível dado ao grau de descapitalização dos escravos. Como de fato aconteceu.

A Lei de terras inviabilizou a implementação de uma lei abolicionista radical que propusesse as terras para as mulheres e homens libertos, porém permitiu que os imigrantes se tornassem pequenos proprietários. Desta maneira, a classe dominante incrementou no plano político e ideológico, o branqueamento da mão-de-obra livre e a ideologia do racismo como justificativa à exclusão do negro do novo processo produtivo.

Aqui no Brasil como já mencionava Clovis Moura, no plano histórico perpetuou uma coincidência entre a divisão social do trabalho e a divisão racial do trabalho. "Mas através de mecanismos repressivos ou simplesmente reguladores dessas relações ficou estabelecido que, em certos ramos, os brancos predominassem, e, em outros, os negros e os seus descendentes diretos predominassem.”

E no trabalho pesado do campo predominaram os negros, que na luta pela sobrevivência, trabalharam escravizados na lavoura nas fazendas, e posteriormente como uma herança do trabalho, permaneceram agricultores nos quilombos e depois como trabalhadores explorados nos latifúndios. “Tudo aquilo que representava trabalho qualificado, intelectual, nobre, era exercido pela minoria branca, ao passo que todo subtrabalho, o trabalho não qualificado, braçal, sujo e mal remunerado era praticado pelos escravos, inicialmente, e pelos negros livres após a abolição” (MOURA).

O negro brasileiro, a partir das suas lutas contra a escravidão e, posteriormente, nas suas mobilizações após a abolição na luta pela igualdade racial incidem num fundamental instrumento para propor a superação do moderno quadro de desigualdade social que atinge milhões de brasileiros. Portanto, para entender a conjuntura atual das classes dominadas no Brasil, é necessário analisar as duas dimensões centrais da dominação: a classista e a racial. Nas relações de dominação na sociedade brasileira, elas encontram-se imbricadas.

Clovis Moura assegura que durante toda a história do Brasil, quase não houve modificação nos níveis de subordinação e dominação e essa mudança só se sucederá quando houver um processo de mudança social radical. “Por questões de formação histórica, os descendentes dos africanos, os negros de um modo geral, em decorrência de sua situação inicial de escravos, ocupam as últimas camadas da nossa sociedade”.

Desde a colonização até os dias atuais, o negro é protagonista de amplas lutas por território, liberdade e pela resistência da religião e cultura de matriz africana. Todavia, muita coisa ainda falta a ser conquistada. Contudo a população negra, ao longo da história, tem trilhado caminhos essenciais para a construção de igualdade de direitos e oportunidades.

O Brasil segue composto por uma sociedade poli étnica dividida em classes onde encontra-se a elite predominantemente branca compondo a classe detentora do poder político e dos meios de produção e os índios e negros formando a classe dos trabalhadores, excluída do processo produtivo e socialmente marginalizada compondo a massa de segregados e explorados.

Neste 13 de maio só a continuidade da luta e da rebeldia são plausíveis, não há comemorações, pois o Estado continua assumindo o papel repressivo do senhor de engenho. A política antidemocrática segue garantindo os privilégios à minoria branca que herdou historicamente a terra e o poder. A população negra que representa a maioria do povo brasileiro prossegue sem terra, sem teto e sem direitos essenciais a dignidade humana.

A bandeira da luta pela segunda abolição prossegue por meio dos movimentos sociais e engloba várias bandeiras de luta,como o acesso à terra, moradia, educação, respeito à diversidade e a tomada de decisões. Pois, apesar de conquistas significativas as populações descendentes das culturas africanas, continuam nas mais baixas camadas da nossa sociedade, mas de cabeças erguidas, gingando e trilhando o futuro.

Por Raumi Joaquim de Souza*
Da Página do MST

Fontes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra 

* Militante e integrante do Grupo de Estudos sobre a Questão Étnico-racial e a Questão Agrária do MST